segunda-feira, 15 de julho de 2013

A CAIXA

Por: Lisi Prestes

Lá estava ela, no meio do caminho.
Não parecia como uma caixa qualquer, era impecavelmente adornada, detalhes riquíssimos e uma fineza de dar inveja a qualquer outra caixa que poderia existir.
Muitos passaram pelo caminho e viram-na, porém, alguns olharam, outros tocaram com curiosidade e houve até quem desdenhou da mesma e passou de largo, seguindo sua trilha.

Certo dia, uma mulher vinha cantarolando distraidamente quando viu o brilho reluzente das fitas tirilintarem sob o sol morno de uma tarde de setembro.
As árvores estavam todas floridas e exalavam um perfume inigualável, mesmo assim, ela encantou-se pela caixa.
Delicadamente foi admirando cada detalhe, tocando com muito cuidado pois não  tinha muita certeza do que encontraria em seu interior.
Após um certo tempo de observação, a mulher resolve levar a caixa consigo.

Abraçou com esmero e carregou-a até o interior de sua casa. Lá, por sua vez, admirava todos os dias, conversava com ela, e ia descobrindo cada vez mais afinidades entre seus detalhes e as coisas que a mulher também gostava.

Uma mulher de refinado gosto, sabia definir entre uma caixa qualquer e AQUELA caixa.
Estava perdidamente apaixonada e tudo quanto iria realizar, carregava consigo a sua caixa.
Não havia sensação melhor do que saber que possuia aquele objeto tão lindo e brilhante.
Seus pensamentos diários incluíam-na, todos os seus atos e desejos sempre arrumavam uma maneira de encaixar o seu objeto de adoração e admiração.

Certo dia ela resolvera agita-la; havia algo dentro da caixa...
A curiosidade tomou conta de si de tal forma que seu coração acelerou e começou a cogitar a ideia de abri-la e descobrir o havia dentro.
Inquietação, boca seca, sonhos e imaginações.

Seria um bracelete de ouro?
Quem sabe um diamante?
Uma relíquia antiga e muito bem conservada?
Um livro raro que ninguém havia lido?

Tantas coisas passavam por sua mente e aquela mulher ainda sim estava perdidamente apaixonada pela caixa.
O tempo foi passando e a mesma e fixa ideia de abri-la permanecia lá, aguçando ainda mais a sua curiosidade.
Após meses de admiração e adoração, numa noite ela chega em sua casa decidida a abrir a caixa.

Tomou um demorado banho, arrumou-se como de costume para se aproximar da caixa e ficou ali, sentada sobre sua cama observando e imaginando o que teria dentro.
Ponderou diversas vezes na opção de não abrir e mesmo assim, após algumas horas, havia tomado a sua decisão:

- Eu vou abrir essa linda caixa! A minha caixa! Eu tenho esse direito, ela me pertence agora.

Como num ritual, foi desamarrando vagarosamente  os laços, já um tanto desgastados pelo tempo e delicadamente puxava até que se desfaziam por completo.
Após os laços desfeitos chega o grande momento!

Eis que dentro da caixa havia uma pedra! Sim uma pedra disforme e comum, sem beleza ou aparente utilidade.
Tal foi a decepção daquela mulher que seu coração chegou a doer.
Deprimida e decepcionada ela fecha a caixa e refaz os laços, ainda em lágrimas.
Dorme após longas horas de choro até que o dia amanhece.

Levanta e sai pelo seu caminho carregando a caixa e sem titubear a deixa em canto qualquer e segue seu rumo sem ao menos olhar para trás.
Algum tempo depois passa um homem e vê a caixa!
Pega-a e de súbito,  abre-a e encontra a pedra! A expressão em seu rosto chegava a ser comovente!
Sorriu, deixou a caixa de lado e levou a pedra consigo.

Moral da história:

Expectativas mal direcionadas sempre gerarão frustrações e cada um de nós vê os valores de maneira diferente.
Se você espera demais das pessoas pelo que elas aparentam, você com certeza irá se decepcionar!

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