domingo, 7 de julho de 2013

O Velho Sábio

Lisi prestes 




Ele era apenas uma criança como todas as outras daquele pequeno vilarejo.
Um tanto quanto esquisito e sem uma beleza muito evidente, porém havia em seus olhos um brilho radiante, que atraía as pessoas, sabe?  Do tipo: olhos que falavam sem palavras!
Falante e risonho, o garoto soltava palavras doces e encantadoras com tanta naturalidade, que não havia como não ficar encantado com as virtudes do pequeno sábio, como era chamado.
O menino foi crescendo e tornara-se um jovem, amadurecidamente precoce para sua idade. Aliás, seu semblante lembrava um homem de mais idade e ele  mesmo não se importava com isso.
Os amigos que outrora eram companheiros de brincadeiras, aos poucos foram tornando-se aconselhados, e o jovem sábio, por sua vez, seu guru conselheiro.
Havia um grande prazer na servidão, auxílio e estender de mãos! Quer fossem em palavras, atos e caridades, o jovem sábio tinha certeza que estava fazendo aquilo que era certo.
Tal era seu prazer, que aprofundara suas habilidades única e exclusivamente para ser útil a outrem.
Teve a grande ideia de fazer um pomar diversificado de frutos excelentes, os quais davam na estação correta o seu devido fruto e muitos daquele lugar saciavam sua fome.
Muitas vezes ele desejou comer dos frutos, mas lembra-se sempre que poderia faltar a alguém.
Doou-se desmedidamente, tanto que adoeceu.
As canções já não pareciam tão melódicas assim, seu caminhar tornou-se lento e doloroso.
O velho sábio isolou-se em sua casa, de janelas fechadas, pois não queria ver a luz do sol.
Assim seguia sua escura e dolorosa solidão.
Certo dia levanta-se com dificuldade de sua cama e olhou no espelho, vendo seus cabelos desgrenhados e barba longa, profundas olheiras e já não tinha o sorriso de outrora.
A solidão o fez perceber que nem sempre ele seria o velho sábio (mesmo não sendo tão velho assim), então decidiu mudar!
Abriu as janelas, espantou a poeira, limpou a casa e enfeitou.
Cortou o cabelo, fez a barba, trocou as vestes surradas por vestes novas e sorriu novamente como nunca!
Sentou-se no pomar e comeu todos os frutos deliciando-se em cada sabor, cada cor, cada cheiro. Curtiu o sol sentado ao vento e ao som dos pássaros numa tarde que antes era deveras laboriosa.
Dançou na chuva, riu das coisas simples e seu olhar teve o brilho da infância novamente.
O jovem homem percebeu que para ser feliz ele não precisava ser o velho sábio cheio de conselhos e auxílios em todo o tempo e que para ser e fazer, ele não precisava ser tudo e todos. Ele precisava única e exclusivamente ser feliz, com ele mesmo!


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